A LÍNGUA E AS PALAVRAS

Ao descrever uma língua, precisamos distinguir as unidades significativas das não significativas, Nos estudos linguísticos, podemos observar que há uma variação nos critérios para a classificação  das  palavras. Esses critérios podem ser morfológicos, sintáticos ou semânticos. Além disso, há uma tendência à organização dessas classes de acordo com a visão filosófica  das gramáticas que se originaram dos estudos dos gregos. Daí a definição, por exemplo, de substantivo como “o que dá nome aos seres no mundo”

De acordo com Sautchuk 2010, as unidades linguísticas que servem para nomear elementos são chamadas de Morfemas Lexicais ou Lexemas. Os Lexemas constituem uma espécie de inventário aberto, pois como tem a função de nomear a realidade, podem apresentar um crescimento contínuo e teoricamente infinito de palavras em uma língua. Já aqueles morfemas que servem para relacionar esses lexemas são chamadas de Morfemas Gramaticais ou Gramemas, e existem apenas no mundo gramatical.

 Esse conjunto de palavras na língua que remete exclusivamente a um mundo gramatical (apenas linguístico) é restrito à função apenas de relacionar ou de estruturar o outro tipo de palavras, relacionando e formando estruturas maiores. Esse tipo de palavra constitui um inventário fechado, pois em nossa língua, não se criam novos nem modificam gramemas há muito tempo. Por exemplo, quanto novos artigos definidos apareceram no português no último século?

Morfema
Morfema é a menor partícula com significado existente de uma palavra, e que se reunida a um radical lhe confere um sentido diferente do anterior. Os morfemas podem ser classificados em dois grupos: morfemas gramaticais e morfemas lexicais.

Os morfemas gramaticais são aqueles que possuem um significado interno à sua estrutura, gramatical. Exemplo: -s é o morfema gramatical que, na língua portuguesa, traduz a noção de plural. Os morfemas gramaticais também podem ter a função de reunir, nas frases, os vocábulos constituintes. Exemplo: livro de leitura.

Os morfemas lexicais possuem significação externa, relacionam-se ao mundo extralinguístico, constituindo um conjunto aberto, no qual novos elementos podem ser acrescentados. Exemplo: flor, saudade. Os elementos mórficos de uma palavra dividem-se em: raiz, radical, tema, afixos, desinências e vogal temática.

Raiz – A raiz cumpre a função literal de seu nome, ela serve como base para a formação de diversas palavras, pois contém o núcleo significativo das mesmas. Mesmo com a mudança do radical percebe-se a semelhança entre palavras de uma mesma família por causa de seu significado.

Radical – Radical é a parte que se repete em quase todas as palavras de uma mesma família, age como segmento lexical de uma palavra.
Exemplos: cert-o, cert-eza, in-cert-eza,  pedr-a, a-pedr-ejar, pedr-eira,  etc.

Tema – Ao juntarmos a vogal temática ao radical temos, então, a composição do tema da palavra.
De acordo com a gramática, nos verbos o tema é obtido destacando-se o –r do infinitivo. Exemplos: fala-r, sabe-r, etc.

Quando os gramemas compõem a estrutura de um vocábulo, são chamados de gramemas dependentes, pois não têm autonomia, ou seja, apenas fazem parte de uma espécie de matriz vocabular anterior. Esse tipo de morfema gramatical aparece na língua sob forma de:

Afixos – Os afixos vêm do processo de formação da palavra. Se ela recebe uma partícula em seu início ou fim, trata-se então de um afixo que pode possuir diferentes nomenclaturas. São elas: Prefixo (antes da palavra), Sufixo (depois da palavra)
Exemplos: contradizer, ricaço.

Desinências – A função da desinência é designar as variações de número, tempo e modo para verbos; e, para nomes, as variações de número e gênero.
Exemplos: menin-o, menino-s, am-o, ama-mos, etc. 

Vogal Temática – A vogal temática é o elemento que se junta ao radical e forma o tema de nomes e verbos. Nos verbos distinguem-se três vogais temáticas: a (andar, amar, saltar), e (bater, entender, saber), i (sair, partir, unir).



Vejamos os exemplos de palavras retiradas de manchetes de jornais

Manchete n° 1








Academia: lexema feminino. 

Brasileira:  lexema feminino.

Letras: lexema feminino 



De: gramema preposicional.


Elege: lexema verbal (  raiz: eleg-  mais a vogal temática -e)

Novo lexema adjetival  ( raiz: nov- mais indicador de gênero -o )

Imortal lexema adjetival ( prefixo. I- + raiz: -mort- + sufixo formador de adjetivo : -al )  



Os lexemas : academia, brasileira, letras e imortal são considerados lexemas femininos, no caso de Brasileira, a designação de feminino de dá através da vogal a.




Nos casos de Academia, Letras, o gênero é definido por convenção pois não possui morfema designador de gênero, esse a no final é uma vogal temática formadora de palavra. 




Já a palavra Imortal é possui um morfema flexional latente, ou seja,  o lexema é feminino e serve para designar seres femininos ou masculinos, vai depender do contexto. Além disso, ele traz o morfema prefixal I, que transmite a ideia de ausência de algo.
   



Malala: Lexema  feminino

Transforma: lexema feminino derivacional:  prefixo: trans- + raiz: form + vogal temática -a

Violência:  Lexema feminino : raiz: violen- + sufixo -ência

Em: gramema preposicional.    
                                                                    
Delicadeza: lexema derivacional feminino  raiz: delicad- + sufixo formador de adjetivo: -eza.               
No: gramema relacional     
                                                                               
Seu: morfema gramatical        
                                                      
Primeiro: gramema independente quantificador.         
                                           
Livro: lexema masculino 

Infantil: lexema masculino. 





Os lexemas:  Transforma, Violência e delicadeza são consideradas lexemas femininos por convenção, já que o a presente no final da palavra não é um morfema designador de gênero, trata-se de uma vogal temática que ajuda na formação de substantivos apenas.




O lexema Livro  é considerado lexema masculino também pelo mesmo motivo, uma vez que o lexema livro não possui flexão de gênero. Esse o no final é uma vogal temática formadora de substantivo. 




O lexema infantil é considerado um lexema masculino e não possui morfema indicador de gênero. O gênero nesse caso  pode ser entendido pelo contexto da oração. 





Bibliografia:                                                                                                          
Sautchuk, Inez. Prática de Morfossintaxe. Ed,Manole, 2010. https://www.estudopratico.com.br/                                     
https://www.todamateria.com.br/                                      

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